Querida porque embora não habitemos tempos e mundos iguais, a senhorita eternizou algo que pouco se vê e muito se precisa. Querida porque consegue ser viva até em mentes tão humanas e racionais. Querida pois consegue nos fazer sentir o que não vemos. Aliás, pode me dizer o que fizeram do amor?
Dessa vez, não é uma carta comum. É que eu ainda não o encotrei. Cheguei até aqui sem conseguir levar a diante qualquer um daqueles encontros em cafés, cinemas ou bilhetes de “para sempre”. Hoje te escrevo porque penso que ainda é cedo e eu acredito que uma hora ele chega pra mim. Não posso mais viver de começo que sempre chega no final. Sou um amontoado de histórias que não foram, porque sempre o pouco que me dão é tão pouco que vira nada. Não aguento mais começar. Queria tanto continuar. Ainda não sei se posso fazer isso, mas queria continuar. Alguma coisa deu errado em mim? Não sei explicar e não sei como arrumar. Nem sei se tem ajuda pra isso. Mas eu queria continuar.
A minha vida passou a vestir uma armadura e não deixar ninguém ficar por muito tempo. Justo eu, que acredito tanto. Porque eu acredito. Eu só não aguento mais os fins chegando e me provando que amor, amor mesmo, desses capazes de marcar histórias, é pra quem sabe ter. Ela, a vida, me emociona o tempo todo, mas se eu ficar chorando, quem vai pagar minhas contas e quem vai querer amor cheio de olheiras? Então eu corro. Sempre me dá essa vontade de ir embora quando descubro que isso que me dão não se parece nada com o que eu deveria receber e dar e enfim ficar. Eu estou sempre indo embora pra tentar chegar em algum lugar que eu ainda não sei onde fica mas que quando for, vai ser um bom abrigo pra quem tanto fugiu. Parece triste. Eu podia desacreditar, eu já podia ter desistido. Mas eu ainda acredito. Porque embora pareça desanimador, olhando com carinho fica até bonito.
E talvez seja essa mesma a essência dos teus sentimentos por Romeu. Talvez seja isso que ajude olhares verdadeiros seguirem o mesmo foco. Ou então mãos conquistarem bens comuns. Passos de dois. Caminhos cúmplices. Presentes sem porquês e jantares a luz de velas. Talvez. Comigo ainda não foi. Mas ainda será. Algo tão intenso e grandioso só acontece quando é acreditado. Embora eu queira saber onde está e toda essa minha ansiedade me deixe aflito, eu acredito. Acredito no grande, no bonito e no essencial. No singelo e no mais puro. Eu acredito no amor.
(Verona, 31 de Março de 2013)